Após condenação, Alexandre Zibenberg está nos EUA desde 2023
– Eu sempre fui advogado e empresário, sou do Rio de Janeiro, da capital, e sempre gostei de debater política, como grande parte da sociedade brasileira, mas sem ser uma parte ativa – explicou nesta terça-feira (3).
De acordo com Zibenberg, seu envolvimento mais intenso com o debate político começou em 2018, durante o período eleitoral. Dois anos depois, publicou um vídeo no qual questionava a descrição dos serviços oferecidos pelo escritório de Viviane Barci de Moraes, que se apresentava como “especializado em cortes superiores”, o que lhe causou estranheza.
O empresário afirmou que sua manifestação foi motivada por uma pesquisa que fazia para reformular o site de seu próprio escritório de advocacia. Ao consultar páginas de outros escritórios, encontrou a descrição que considerou incomum e decidiu comentar o assunto.
– Eu acabei fazendo um vídeo falando que eu achava estranho um escritório ter isso no seu site – relatou.

Após a publicação, segundo Zibenberg, foram ajuizadas duas ações cíveis contra ele no Tribunal de Justiça de São Paulo. Ele questionou a tramitação dos processos naquele estado, uma vez que, à época, residia no Rio de Janeiro. Também afirmou que as condenações foram fixadas nos valores máximos e superaram sua capacidade financeira.
– Eu acabei sendo condenado com a pena máxima nesses processos. Estava pagando esses processos quando, em 2023, advindo também do mesmo vídeo de 2020, eu recebi um processo criminal agora no Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro – contou.
Na ação criminal, Alexandre de Moraes figurava como assistente de acusação em uma denúncia apresentada pelo Ministério Público. Zibenberg afirmou que participou de uma audiência na qual o ministro esteve presente por videoconferência e que a defesa de Moraes foi representada por sua filha, a advogada Juliane Barci de Moraes.
Zibenberg disse que sua manifestação original se limitava a questionar a especialização anunciada pelo escritório em atuação perante cortes superiores. Na avaliação dele, não havia justificativa para a dimensão das medidas judiciais adotadas em resposta ao vídeo.
– Eu tenho mais de 20 anos de advocacia no Brasil. Você é um advogado civil, criminal, eleitoral, militar, de várias áreas, mas não existe ninguém que seja especializado em Corte Suprema – afirmou.
Ao final do processo criminal, ele foi condenado a cinco anos de prisão. Diante da decisão, decidiu deixar o Brasil imediatamente.
– Então, imediatamente eu saí do Brasil, às pressas, minha mulher grávida, larguei a minha vida toda no Brasil – declarou.
Ele explicou que já havia visitado os Estados Unidos como turista, mas não tinha qualquer projeto de imigração. A mudança foi uma consequência direta dos processos judiciais que enfrentava.
– Acabei tendo que sair às pressas, larguei minha vida e tive que recomeçar aqui nessa situação de exílio – disse.
O empresário afirmou que as condenações ultrapassaram seu patrimônio e provocaram sua falência financeira.
– Eu não vi nenhum vício jurídico que gerasse uma indenização, nada, apenas uma opinião minha que ele poderia até ter feito uma ação indenizatória com um valor plausível. Falou do escritório, você vai pagar dois, três salários mínimos, mas não uma condenação maior que o meu patrimônio na época, ou seja, uma condenação que me levou na época à falência – afirmou.
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